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GARIMPO DE TURMALINA AZUL DA PARAÍBA, FEITO PERQUISA EM JANEIRO, PEDRA MAIS PRECIOSA QUE DIAMANTE US$20.000.000,00

  • Cidade: brasilia
  • Listado: 14 de Abril de 2018 14:21
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MELHOR GARIMPO DE TURMALINA AZUL NA PARAÍBA, FEITO PESQUISA EM JANEIRO

 MELHOR GARIMPO DE TURMALINA AZUL NA PARAÍBA, FEITO PESQUISA EM JANEIRO  VALOR:US$20.000.000,00

21/08/09 – 22h51 – Atualizado em 21/08/09 – 23h44


Pedra brasileira vale mais que diamante


Turmalina paraíba foi descoberta há 20 anos, em São José da Batalha (PB). Pedra tem um azul único e um brilho incomparável.


Serra da Borborema, região do cariri paraibano. A imensa cordilheira que corta a caatinga tem muito mais do que beleza. Na região foi descoberta a mais especial e rara das pedras preciosas: a turmalina paraíba. De um azul único, brilho incomparável, alcançou valores nunca imaginados. Um recorde: a turmalina brasileira superou a cotação dos diamantes. Um caminho de terra e poeira é a ligação da cidade do tesouro com o resto do mundo. Em São José da Batalha, o berço das turmalinas, nada mudou com a descoberta das pedras tão valiosas. O povoado segue a rotina sem pressa e sem novidades. Os moradores apenas assistiram a riqueza ser levada para bem longe do local. As turmalinas permanecem nas histórias que alimentam muitos sonhos na região. ”Muita gente teve pedras valiosas na mão”, conta o ex-garimpeiro Antônio Carlos Costa. ”Uma pedrinha dessas custa de R$ 8 a R$ 10 mil. Não me desfaço dela. Fica como lembrança, para as pessoas verem o que eu faço na vida. Pelo menos fica para os netos, bisnetos, tataranetos. E a história continua”, diz o ex-garimpeiro Gerlado Oliveira. Os moradores guardam mágoa de um passado em que a riqueza esteve bem perto, ao alcance das mãos deles. Mas naquele tempo a turmalina paraíba não tinha o valor que tem hoje. ”Ninguém sabia o valor, entoa, trocava por moto, carro. E assim mandaram tudo para fora”, conta Geraldo Oliveira. E é atrás da história de persistência e obstinação que se vai ao encontro do garimpeiro José de Souza, conhecido por Deda. Dá para imaginar que o homem que ocupa uma casa tão modesta já morou na melhor casa da cidade? Ele já foi dono de caminhões, de um bom carro, de minas de garimpo. Tudo comprado com o dinheiro das turmalinas que achou. Mas hoje a cobiçada pedra azul não passa de um retrato na parede. ”Não tenho ideia de quanto a pedra valeria hoje, mas eu não entregaria a ninguém por menos de R$ 2 milhões. Tenho esperança de que vou conseguir outra”, diz Deda, que vai em busca da pedra da fortuna. A caminhada é longa. São seis quilômetros até a mina. Basta seguir por um túnel. O garimpeiro não teve dinheiro para pagar a energia e tem que trabalhar no escuro, à luz de velas. A mina tem 150 metros de extensão. ”Na realidade, dá para ver o mínimo. Mas não tem outro jeito”, conta o garimpeiro, que não tem medo de perder a turmalina no meio da escuridão. ”Trabalhamos de olho nela”. Não importa se é dia ou noite, o caçador solitário de turmalinas cava sem parar. A maratona continua empurrando o carrinho. De carregamento em carregamento, todo o material é retirado de dentro da mina. São toneladas de cascalho. O rejeito da mina cobriu toda a encosta do morro. Deda conta que são oito anos de suor no local. ”Meu pensamento fica em Deus”, diz. Caulim é uma argila branca, onde os garimpeiros encontram as turmalinas. Na primeira mina de turmalina da região, uma galeria gigantesca está desativada. Exploração agora, só com máquinas. ”É impossível calcular, mas, pela experiência que temos, ainda não foram explorados 10% dessa mina”, conta o minerador Sérgio Barbosa. As galerias têm passagens para todos os lados e chegam a 60 metros de altura. E pensar que a mais rara das pedras preciosas foi encontrada em uma região marcada pela aridez, em uma terra considerada pobre, que não serve para plantar. A primeira turmalina paraíba foi descoberta a sete metros de profundidade, 20 anos atrás, graças à obstinação de um homem: Heitor Barbosa, que o Globo Repórter foi conhecer em Belo Horizonte, Minas Gerais. Heitor Dimas Barbosa é o dono da mina de São José da Batalha. Todas as pedras que ele guarda vieram de lá. Com orgulho, mostra revistas estrangeiras onde é citado como o homem que descobriu a raríssima turmalina paraíba, em 1982. Era tão bonita e diferente que até comerciantes de joias achavam que não era verdadeira. ”Falavam que era sintética”, lembra Heitor Barbosa, que não desistiu. Enviou amostras do mineral ao Gemological Institut of America, nos Estados Unidos, que comprovou: era uma turmalina com cobre e manganês na composição, o que dá o azul especial. Heitor Barbosa diz que não ficou rico porque vendeu as pedras por valor muito baixo e aplicou todo o dinheiro na mina de São José da Batalha, mas garante que ainda vai enriquecer. ”Eu tenho uma convicção muito forte de que ainda vou encontrar uma pedra acima de três quilos”, diz. A mina do tesouro, em São José da Batalha, fica em uma região onde não existem empregos. Homens arriscam a vida diariamente nas profundezas da terra. O local de trabalho do garimpeiro José Tadeu Taveira fica a 60 metros de profundidade. O jeito é colocar o capacete e encarar uma escada. ”Não tem perigo”, garante Tadeu, que enfrenta esse expediente todo dia. Os garimpeiros trabalham sempre em dupla: um retira o caulim com a picareta e o outro recolhe com a pá. É também uma medida de segurança. Em caso de desmoronamento, um pode socorrer o outro.

 


Um grama da turmalina paraíba pode ultrapassar 100 mil dólares. Mais rara e mais cara do que a maioria dos diamantes, a pedra está entre as dez gemas mais caras do mundo. Cada quilate chega a valer US$ 50mil.


“Mas, afinal, o que significa a palavra paraíba?”, pergunta o Financial Times. Uma reportagem do diário financeiro britânico revela que o azul da turmalina retirada da mina da Batalha, no interior da Paraíba, virou moda na Europa. A coloração incandescente e única deve-se a uma combinação de traços de cobre e manganês dentro da pedra. Assim, paraíba tornou-se denominação de um tipo de azul, único no mineral encontrado por aqui.


A turmalina paraíba é utilizada pela grifes brasileiras Amsterdan Sauer e H. Stern, além das internacionais Dior e Tiffany & Co UK.



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